A crise económica em Cuba aprofundou-se drasticamente devido ao endurecimento do embargo dos EUA. A quebra no turismo, a escassez de recursos e os prolongados cortes de energia impactam severamente o quotidiano, obrigando as comunidades a enfrentar desafios constantes para manter o seu bem-estar e dignidade. Neste contexto adverso, a cultura e a arte tornaram-se uma forma essencial de resistência: um espaço onde a criatividade permite às pessoas sobreviver, expressar-se, curar-se e construir comunidade.
Com este espírito, nasceu o Festival Cultural Itinerante, um projeto financiado pela Embaixada do Canadá em Cuba, implementado pela Oikos em parceria com o grupo de teatro independente Kilómetro Cero (KM 0). Dirigido pela dramaturga e atriz Liliana Lam, está ligado a iniciativas culturais comunitárias já existentes, como o AfroAtenAs e a Casa Tomada Mirarte. O projeto teve como objetivo levar o teatro a áreas com acesso limitado a atividades culturais, promovendo o diálogo social e a reflexão coletiva através da arte.
Uma Viagem por Três Províncias e Quatro Obras Transformadoras
O festival apresentou quatro peças de teatro — Clara, Carlo, Intimidad e Plantea Varón — em três municípios das províncias de Havana, Matanzas e Cienfuegos, durante novembro e dezembro de 2025.
Cada produção foi selecionada pela sua capacidade de abordar questões sensíveis e relevantes para as comunidades cubanas, utilizando a expressão artística como ferramenta de sensibilização e promoção do envolvimento cívico. As apresentações foram acompanhadas por fóruns de discussão abertos, onde residentes, jovens, líderes comunitários e artistas puderam debater temas de grande importância social: a igualdade de género, as novas masculinidades, os direitos das mulheres, a inclusão e a defesa da comunidade LGBTQIA+ e os estereótipos e papéis de género que influenciam o quotidiano e afetam mulheres, homens, raparigas e rapazes de diferentes formas.
Apesar da epidemia de Chikungunya e dos desafios logísticos e energéticos enfrentados durante a apresentação das peças, a receção do público foi entusiasta. As comunidades valorizaram a oportunidade de aceder a ofertas culturais e participar em conversas abertas e profundas sobre questões que impactam diretamente o seu dia a dia.
Um compromisso que continua
O Festival Cultural Itinerante permitiu à Oikos reafirmar o seu compromisso com as comunidades cubanas e com a ideia de que a arte pode transformar realidades. As apresentações teatrais tornaram-se um espaço vibrante de diálogo, onde a comunidade pôde refletir e reconhecer-se. Através delas, promoveu-se a inclusão, a resiliência e a participação ativa, convidando o público a questionar preconceitos e a descobrir, com respeito, amor e coragem, os alicerces para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
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