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Dentro da casa Oikos: Histórias que inspiram mudança – Pedro Hernández

Na Oikos, cada pessoa é essencial na construção de um mundo mais justo, sustentável e solidário. Na rúbrica “Dentro da Casa Oikos”, damos voz às histórias, motivações e vivências de quem se dedica à missão da Organização.

Partilhamos a inspiradora trajetória de Pedro Hernández, coordenador de El Salvador, que trabalha na Oikos desde 2013.

1. Há quanto tempo trabalho na Oikos e qual o foco principal do meu trabalho?

Sou cubano e comecei a morar em El Salvador desde 2010. Curiosamente, toda a minha experiência de trabalho neste país sempre esteve ligada à Oikos. Em fevereiro de 2011 comecei a trabalhar na FUNSALPRODESE (a maior sócia da Oikos em El Salvador, na época) como técnico de gestão de riscos de desastres num projeto DIPECHO liderado pela Oikos. Posteriormente passei para a área de gestão de projetos, e também vários deles foram em consórcio com a Oikos. Estas sessões de gestão de projetos foram uma escola para mim. Aprendi muito com o Miguel, coordenador da Oikos, e com a Mirna, diretora da FUNSALPRODESE, valorizando a relevância estratégica que qualquer projeto tem para os processos que acompanhamos.

Em 2013, a Oikos iniciou um projeto de governança em segurança alimentar (o GobSSAN) que abrangia todo o território da Guatemala à Costa Rica. Essa foi a minha oportunidade de entrar na organização, como técnico de monitoria e avaliação.

A verdade é que, na Oikos e principalmente em equipas pequenas, fazemos de tudo. Naquela época éramos apenas duas pessoas. O Miguel e eu. Em 2018 o Miguel decidiu continuar noutra organização e eu passei a assumir a coordenação. Com o passar dos anos, passámos de 2 pessoas para 12 pessoas, com um escritório exclusivo para nossa equipa e com a personalidade jurídica para operar no país (com tudo o que isso implica).


2. O que mais me motiva e o que mais gosto no meu trabalho?

Sem dúvida, a coisa mais reconfortante no nosso trabalho é o contacto com as pessoas. Ir às comunidades e conversar com as pessoas recarrega energias. Poder ouvi-los, conectar-me com suas necessidades ou violências vividas reforça a empatia e a solidariedade, valores indispensáveis para o nosso trabalho. E visualizar a sua incrível resiliência e como, no meio a todas as dificuldades, escolhem sonhar e lutar, dá-nos esperança – tão necessária nos tempos que correm.

Gosto muito de partilhar o trabalho com os meus colegas, e isso estende-se às equipas das Honduras, Nicarágua e Portugal. Somos diversos/as na nossa formação e experiências, e a partir dessa coletividade também crescemos pessoalmente.

Gosto de cada parte do meu trabalho. Procuro envolver-me em cada exercício de monitoria que fazemos, e não só porque é uma função indispensável na boa gestão de cada projeto, mas porque gosto. E facilitar processos de formação permite-me conectar de uma forma muito mais íntima com as pessoas, o que em espaços mais estruturados como reuniões ou entrevistas é mais difícil.

Há muito mais coisas que gosto, mas quero destacar algo que desde o início identifiquei de Oikos: somos um espaço de crescimento. Cada pessoa que colaboradora nesta casa tem a oportunidade de criar, de propor novas metodologias. Não somos obrigados a seguir uma receita ou um manual rigoroso e isso estimula-nos a desenvolver o nosso potencial. Não somos a mesma organização de há dois anos atrás, muito menos de há dez anos atrás. Somos um espaço dinâmico e crescemos em coletivo.  E isso não só enriquece a organização, como também cada pessoa que está disposta a inovar e contribuir.

3. Qual é o maior desafio do meu trabalho?

Temos muitos desafios coletivos, especialmente num contexto desafiador. Mas referindo-me a alguns específicos do meu papel como coordenador de equipa, acho que a tarefa mais complexa e difícil é a gestão coletiva das emoções.

Não há uma receita para potenciar a diversidade como um valor, nem para que cada membro da equipa sinta o espaço como seu e o inspire a desenvolver o seu potencial. Estamos realmente a criar um espaço seguro e de crescimento? A partir do exemplo conseguimos inspirar? São perguntas que me acompanham sempre.

4. Algum facto interessante que possa partilhar.

A minha formação base é em engenharia de máquinas agrícolas. É muito raro que as pessoas com quem falo me associem a essa profissão. Sou um dos muitos exemplos de que a carreira é feita na vida, não na universidade.

Outra curiosidade é que, desde muito pequeno, gostava muito de desenhar. Em adolescente comecei a pintar pequenos quadros (naturezas mortas) e a fazer artesanato, para vender a preços muito baratos e ajudar um pouco com as despesas da casa. Há cerca de 20 anos comecei a pintar retratos a óleo. Essa é a técnica que mais gosto e que domino um pouco melhor. Em Cuba vendia quadros regularmente e em El Salvador fiz uma exposição na Embaixada de Cuba com retratos de Fidel Castro, como uma homenagem ao seu legado.

5. Que mensagem gostaria de deixar?

Vivemos num momento complexo da história, de ascensão do fascismo e de graves retrocessos em matéria de direitos. Organizações como a Oikos são mais necessárias do que nunca, porque somos canalizadoras da esperança e impulsionadoras de processos de mudança social.

Uma organização é feita de pessoas. A Oikos é o que cada colaborador/a traz. E isso implica uma responsabilidade, porque cada um de nós deve assumir conscientemente a oportunidade e o dever de dar o melhor de si e de superar as suas próprias expectativas não para benefício próprio, mas pelas pessoas e comunidades que servimos.

O nosso trabalho deve ser sempre guiado por sentimentos de amor.