Notícias

Arte, memória e direitos das mulheres: o legado dos murais na Universidade de El Salvador

Na Faculdade de Jurisprudência e Ciências Sociais da Universidade de El Salvador, a arte transformou-se num espaço de memória, resistência e promoção dos direitos humanos. Foram criados vários murais que hoje marcam o campus universitário como símbolos de igualdade de género, participação juvenil e construção de uma cultura de paz.

Três destes murais contaram com o apoio da Oikos: Campus Magma, que denuncia diferentes formas de violência contra as mulheres no contexto universitário e presta homenagem a mulheres salvadorenhas que marcaram a história da defesa dos direitos humanos, da justiça social e da educação; Isital Nemilis (Estrela da Vida), que apresenta uma visão ecofeminista, destacando a ligação entre a natureza, a vida e os conhecimentos ancestrais; e Raízes da Resistência, instalado na fachada do edifício histórico da Faculdade, que valoriza o contributo de mulheres que deixaram um legado nas Ciências Sociais, nas Relações Internacionais, nas Ciências Jurídicas e nas Ciências Políticas em El Salvador.

Um processo participativo, para além da arte

Mais do que intervenções artísticas, os murais resultaram de um processo de consulta e construção coletiva, envolvendo estudantes, docentes, pessoal administrativo, artistas e organizações parceiras.

No caso de Campus Magma, foram realizados diagnósticos participativos para identificar situações de violência e espaços considerados inseguros pelas estudantes dentro da universidade. O mural nasceu, assim, como resposta a estas preocupações e como instrumento de sensibilização e transformação social.

A Universidade de El Salvador enquadra estas intervenções no conceito de artivismo — a utilização da arte como ferramenta de resistência, memória, educação e transformação social. Os murais procuram, por isso, ir além da transformação estética do espaço universitário, promovendo a reflexão, o diálogo e a ação em torno dos direitos das mulheres e da construção da paz.

Esta iniciativa insere-se numa tradição mais ampla da Universidade de El Salvador de utilizar o muralismo como instrumento de memória, reconhecimento e participação, valorizando o contributo das mulheres e dando visibilidade a questões sociais relevantes para a comunidade académica.

A Oikos associou-se a esta iniciativa através do apoio com recursos materiais e humanos e acompanhamento técnico, contribuindo para a concretização das diferentes intervenções artísticas e para o fortalecimento de espaços de diálogo sobre direitos humanos, igualdade de género e participação cidadã.

Com esta parceria, a arte torna-se também uma ferramenta de sensibilização e mobilização, dando visibilidade a diferentes experiências e perspetivas e contribuindo para uma comunidade universitária mais consciente, participativa e inclusiva.