A Oikos desafiou e académicos portugueses responderam.
Vários especialistas de diversas áreas do conhecimento, unidos pelo estudo das questões ligadas à desigualdade, assinaram uma carta aberta dirigida ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro e ao Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, apelando ao apoio de Portugal à criação de um Painel Internacional sobre a Desigualdade (IPI) junto das Nações Unidas. A iniciativa portuguesa surge no contexto de uma carta aberta internacional, subscrita por centenas de académicos de todo o mundo, que apela aos líderes mundiais para que apoiem publicamente a criação deste organismo.
A proposta de criação de um IPI resulta do trabalho do Comité Extraordinário sobre a Desigualdade, criado pelo Governo da África do Sul no âmbito da sua presidência do G20 e presidido pelo economista e Prémio Nobel Joseph Stiglitz. O painel, inspirado no papel desempenhado pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) no combate à crise climática, tem como objetivo reunir o conhecimento científico internacional sobre a desigualdade — a sua escala, os seus fatores determinantes, as suas consequências e as políticas capazes de a reduzir os seus impactos —, fornecendo aos decisores políticos uma base de evidência rigorosa e consensual para a ação.
A iniciativa tem já o apoio dos Governos da África do Sul, do Brasil, da Noruega e de Espanha, que têm trabalhado em conjunto com a comunidade académica na conceção do painel, bem como do Secretário-Geral das Nações Unidas. O próximo marco fundamental da iniciativa é já amanhã (23 de setembro), num Evento de Alto Nível de Líderes, a decorrer em Nova Iorque, no qual se espera a participação do maior número possível de chefes de Estado e de Governo e a sua união em torno de uma declaração de visão conjunta a favor da criação do IPI.
Com esta carta, os signatários portugueses juntam-se a este movimento internacional, sublinhando que a desigualdade — em Portugal, na Europa e no mundo — está na origem de muitos dos desafios económicos, políticos, sociais e ambientais da atualidade, e que a sua redução exige, antes de mais, um consenso científico sólido sobre a sua natureza e as suas causas. Os académicos apelam a que Portugal se junte à coligação de governos que apoia o estabelecimento urgente deste painel, associando-se assim a um esforço internacional que os signatários consideram essencial para a construção de um mundo mais justo e mais igualitário.